Escombros de um amor

Eulinda Brícia

Uma delícia era eu,

mas desconhecia o amor

— desejava algo que não sabia.

 

Naquele dia, você me convidou para ir a um lugar:

uma casa abandonada, vazia.

Curiosa, percorri todo o perímetro contigo, até que me agarrou abruptamente, detrás dos escombros

que guardavam histórias e amores passados.

 

Eu, tímida e desengonçada,

tentava saciar teus beijos molhados mas, não era só isso.

— Vai com calma, alguém pode ver.

— Ninguém vai ver, somos apenas eu e você.

 

Te beijei atenciosamente, e você, cada vez mais louco, insistia.

— Vamos parar, temos que parar,

para não acontecer nada de que possamos nos arrepender.

 

Você, com um sorriso no rosto, disse:

— estou disposto a enfrentar o que for, por você.

 

Eu, ingênua e inocente,

não me deixei levar

por aquelas palavras sem juízo.

 

Sua mão já estava bem avançada

quando me desprendi dos teus braços  e fugi.

 

Hoje, ainda volto àqueles escombros

e penso em tudo que poderia ter acontecido, eu não deixei.

 

Choro sobre aquela tapera

de desejo e saudade.

 

Você foi para longe, e eu me escondi em outra cidade.

Voltei para te ver,

para me entregar àquele amor juvenil,

mas você já tinha partido,

talvez já me esquecido.

 

Casei-me com outro

que não me dá tanto calor.

Foi um dos que arranjei

para te substituir

mas, não chega aos teus pés,

meu querido jovem.

 

O tempo me envelheceu,

me castigou com rugas tão profundas

que nem o sol alcança.

todos se foram,

e eu fiquei.

 

Mas a tapera ainda está aqui.

se um dia lembrar,

venha me ver

— agora não tenho medo,

nem nada a perder.

Pois eu perdi, quando fugi.

 



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