Uma delícia era eu,
mas desconhecia o amor
— desejava algo que não sabia.
Naquele dia, você me convidou para ir a um lugar:
uma casa abandonada, vazia.
Curiosa, percorri todo o perímetro contigo, até que me agarrou abruptamente, detrás dos escombros
que guardavam histórias e amores passados.
Eu, tímida e desengonçada,
tentava saciar teus beijos molhados mas, não era só isso.
— Vai com calma, alguém pode ver.
— Ninguém vai ver, somos apenas eu e você.
Te beijei atenciosamente, e você, cada vez mais louco, insistia.
— Vamos parar, temos que parar,
para não acontecer nada de que possamos nos arrepender.
Você, com um sorriso no rosto, disse:
— estou disposto a enfrentar o que for, por você.
Eu, ingênua e inocente,
não me deixei levar
por aquelas palavras sem juízo.
Sua mão já estava bem avançada
quando me desprendi dos teus braços e fugi.
Hoje, ainda volto àqueles escombros
e penso em tudo que poderia ter acontecido, eu não deixei.
Choro sobre aquela tapera
de desejo e saudade.
Você foi para longe, e eu me escondi em outra cidade.
Voltei para te ver,
para me entregar àquele amor juvenil,
mas você já tinha partido,
talvez já me esquecido.
Casei-me com outro
que não me dá tanto calor.
Foi um dos que arranjei
para te substituir
mas, não chega aos teus pés,
meu querido jovem.
O tempo me envelheceu,
me castigou com rugas tão profundas
que nem o sol alcança.
todos se foram,
e eu fiquei.
Mas a tapera ainda está aqui.
se um dia lembrar,
venha me ver
— agora não tenho medo,
nem nada a perder.
Pois eu perdi, quando fugi.