Colisão

Naiumi Rodrigues



Você era fumaça correndo sem direção
Tempestade acesa dentro do coração
Barulho quebrando o silêncio da rua
E eu escondendo o caos debaixo da lua

 

Você explodia sem pensar no depois
E eu me afogava quieto entre nós dois
Você gritava com o mundo inteiro
E eu sangrava em silêncio o tempo inteiro

 

Engraçado
Como conseguimos ser
Tão incompatíveis
E ainda assim
Gravitarmos um no outro
Como planetas condenados
À mesma colisão

 

Você era incêndio beijando gasolina
E eu, vidro trincado tentando rotina
Você mordia a dor para sobreviver
E eu deixava a dor me enfraquecer

 

Às vezes parecia guerra na madrugada
Às vezes dança triste e desajeitada
Porque mesmo feridos até o fim
Existia alguma coisa puxando você para mim

 

Talvez em outra vida
Teríamos sido só passagem
Mas nesta
Viramos cicatriz um do outro

 

E talvez seja essa a nossa ironia
Você era o caos que destruía meus dias
E eu, o silêncio que você nunca entendeu

 

Mas mesmo assim
No meio dos destroços
A gente sempre se reconheceu

 

— Naiumi

São Paulo, 27 de maio de 2026.

 

© Todos os direitos reservados.

  • Autor: Naiumi (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de maio de 2026 19:12
  • Comentário do autor sobre o poema: Algumas pessoas entram na nossa vida como tempestades: belas à distância, devastadoras de perto. Duas pessoas podem se destruir, e ainda assim continuarem orbitando uma à outra. Este poema fala sobre a estranha gravidade que existe entre pessoas que nunca deveriam ter se encontrado, mas que, de alguma forma, continuam se reconhecendo nos destroços.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Em coleções: Fragmentos de Existir.


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