Você era fumaça correndo sem direção
Tempestade acesa dentro do coração
Barulho quebrando o silêncio da rua
E eu escondendo o caos debaixo da lua
Você explodia sem pensar no depois
E eu me afogava quieto entre nós dois
Você gritava com o mundo inteiro
E eu sangrava em silêncio o tempo inteiro
Engraçado
Como conseguimos ser
Tão incompatíveis
E ainda assim
Gravitarmos um no outro
Como planetas condenados
À mesma colisão
Você era incêndio beijando gasolina
E eu, vidro trincado tentando rotina
Você mordia a dor para sobreviver
E eu deixava a dor me enfraquecer
Às vezes parecia guerra na madrugada
Às vezes dança triste e desajeitada
Porque mesmo feridos até o fim
Existia alguma coisa puxando você para mim
Talvez em outra vida
Teríamos sido só passagem
Mas nesta
Viramos cicatriz um do outro
E talvez seja essa a nossa ironia
Você era o caos que destruía meus dias
E eu, o silêncio que você nunca entendeu
Mas mesmo assim
No meio dos destroços
A gente sempre se reconheceu
— Naiumi
São Paulo, 27 de maio de 2026.
© Todos os direitos reservados.