Estranheza

Lesy Williams

Eu sou estranha e consigo entender os estranhos,

que derivam à costa à procura de algo;

Não se preocupam com a lógica dos rebanhos;

Só querem colocar as suas ideologias a salvo.

 

Ser estranho não é para qualquer um;

São facilmente julgados pelo senso-comum;

Para levantar a voz, não perdem as estribeiras;

Não se contentam com atividades corriqueiras.

 

Os estranhos são encarados com olhos deformados;

Por aqueles que não enxergam a realidade;

Foi para uma especifica missão que eles foram formatados;

Não para satisfazer o intuito da mediocridade;

 

Há uma subtil estranheza a pairar na minha vida

e levei anos a aceitá-la com a coragem devida;

Escalei diversas montanhas sem medida;

Só para me nutrir com a bondade coagida.

 

A estranheza é bem-vinda à minha casa;

Pois ela só vem por intermédio de um convite.

Ela não veio para usufruir de um jantar de requinte;

Só vem mesmo para dar fulgor à minha brasa.

 

Não se atira a estranheza aos porcos;

Pois estes foram designados como iguais.

Passam demasiados tempo em charcos,

sem entender devidamente os sinais.

 

Hoje reconheço que é a estranheza que me define;

Ela sempre correu atrás de mim.

Não existe tentação que me amofine,

quando trago outros estranhos para o meu jardim.

  • Autor: Lesy Williams (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de maio de 2026 13:06
  • Comentário do autor sobre o poema: Auto-aceitação
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
  • Em coleções: O Roteiro I.


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