Entre livros, paisagens e memórias

Junior Silva

 

Entre livros, paisagens e memórias,
eu ia reunindo meus versos.
Cada estrada me mostrava um caminho,
cada passo revelava um novo capítulo.

Quatro dias no Rio de Janeiro,
quatro dias de descobertas e emoções.
A aventura começou antes da viagem,
entre expectativas, incertezas e sonhos.

O ônibus das 23h30 foi cancelado,
e o relógio insistia em dar voltas.
Remarcado para quase meia-noite,
ainda houve atraso antes da partida.

Passagens vendidas em duplicidade,
reclamações, dúvidas e cansaço.
Mas viajar também ensina
que toda jornada tem seus próprios desafios.

Cheguei ao Rio sob nuvens cinzentas,
quinta-feira fria, chuva a cair.
O tempo fechava a paisagem,
mas não me impedia de sorrir.

Entre a imponência de livros antigos,
vi histórias resistindo ao tempo.
Nas páginas silenciosas da biblioteca,
encontrei novas formas de me reinventar.

Observei a vida em todos os lugares,
em seus ritmos, cores e dimensões.
Percebi que somos bilhões de mundos,
cada qual com sua própria constelação.

Vi o Cristo abraçando a cidade,
envolto pela névoa e pelo frio.
E nas ruas molhadas, entre guarda-chuvas,
havia beleza espalhada por todo o Rio.

Mas o sol, tímido, venceu as nuvens
e decidiu revelar seu esplendor.
Foi lindo ver a paisagem despertar,
o mar brilhando em seu próprio fulgor.

A cidade inteira pareceu sorrir,
banhada por uma luz dourada e serena.
Dos morros ao horizonte sem fim,
cada vista transformou-se em poema.

Entre morros e águas que contornam a costa,
cada cenário convidava à contemplação.
Foi impossível não se encantar
com tamanha beleza em cada direção.

Caminhei pela praia, contemplei as ondas,
deixei o vento conversar comigo.
Porque algumas viagens não mudam o destino,
apenas transformam aquilo que sentimos.

Levei mais do que fotografias:
trouxe histórias para recordar depois.
Entre livros, paisagens e memórias,
descobri novos versos dentro de mim.

E se me perguntassem sobre o tempo,
eu responderia com gratidão:
estava frio, houve atrasos e esperas,
mas também houve encantamento.

Entre ônibus atrasados e horizontes dourados,
aprendi que a beleza mora na imperfeição.
Porque os melhores capítulos da vida
nascem justamente onde não havia previsão.

  • Autor: Jr.Silva (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de maio de 2026 21:52
  • Comentário do autor sobre o poema: Esta obra nasceu de uma viagem que foi muito além dos quilômetros percorridos. Entre atrasos, expectativas, paisagens e descobertas, encontrei momentos que mereciam ser transformados em palavras. Cada verso guarda um pouco do que vi, senti e aprendi durante esses dias no Rio de Janeiro. Mais do que registrar lugares, este poema busca eternizar sensações: o frio da manhã, a chuva que acompanhou os caminhos, o sol que surgiu para iluminar a cidade e as reflexões que floresceram ao longo da jornada. Que estas linhas inspirem o leitor a enxergar beleza mesmo nos imprevistos, pois muitas vezes são eles que tornam as viagens — e a própria vida — verdadeiramente inesquecíveis.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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