Entre livros, paisagens e memórias,
eu ia reunindo meus versos.
Cada estrada me mostrava um caminho,
cada passo revelava um novo capítulo.
Quatro dias no Rio de Janeiro,
quatro dias de descobertas e emoções.
A aventura começou antes da viagem,
entre expectativas, incertezas e sonhos.
O ônibus das 23h30 foi cancelado,
e o relógio insistia em dar voltas.
Remarcado para quase meia-noite,
ainda houve atraso antes da partida.
Passagens vendidas em duplicidade,
reclamações, dúvidas e cansaço.
Mas viajar também ensina
que toda jornada tem seus próprios desafios.
Cheguei ao Rio sob nuvens cinzentas,
quinta-feira fria, chuva a cair.
O tempo fechava a paisagem,
mas não me impedia de sorrir.
Entre a imponência de livros antigos,
vi histórias resistindo ao tempo.
Nas páginas silenciosas da biblioteca,
encontrei novas formas de me reinventar.
Observei a vida em todos os lugares,
em seus ritmos, cores e dimensões.
Percebi que somos bilhões de mundos,
cada qual com sua própria constelação.
Vi o Cristo abraçando a cidade,
envolto pela névoa e pelo frio.
E nas ruas molhadas, entre guarda-chuvas,
havia beleza espalhada por todo o Rio.
Mas o sol, tímido, venceu as nuvens
e decidiu revelar seu esplendor.
Foi lindo ver a paisagem despertar,
o mar brilhando em seu próprio fulgor.
A cidade inteira pareceu sorrir,
banhada por uma luz dourada e serena.
Dos morros ao horizonte sem fim,
cada vista transformou-se em poema.
Entre morros e águas que contornam a costa,
cada cenário convidava à contemplação.
Foi impossível não se encantar
com tamanha beleza em cada direção.
Caminhei pela praia, contemplei as ondas,
deixei o vento conversar comigo.
Porque algumas viagens não mudam o destino,
apenas transformam aquilo que sentimos.
Levei mais do que fotografias:
trouxe histórias para recordar depois.
Entre livros, paisagens e memórias,
descobri novos versos dentro de mim.
E se me perguntassem sobre o tempo,
eu responderia com gratidão:
estava frio, houve atrasos e esperas,
mas também houve encantamento.
Entre ônibus atrasados e horizontes dourados,
aprendi que a beleza mora na imperfeição.
Porque os melhores capítulos da vida
nascem justamente onde não havia previsão.