Alguém e ninguém no mesmo espaço-tempo

Querido Anjo

Não me considero uma pessoa imensamente boa.  

Mas também não sou o mais ordinário dos homens.  

Feita de erros, construída por falhas.  

Fera, ferida e meio ferrada na vida.  

Afinal, quem não é assim?

 

Como outro ser humano qualquer,  

em minoria, em maioria,  

em passos solos, em vôos coletivos,  

tentando fazer algo legal da vida,  

sem ferrar com a vida alheia.  

Buscando equilibrar reclamações e atitudes,  

despistando os vigários e enfrentando o desânimo,  

descansando na janela do ônibus e correndo contra o tempo.

 

Entre a loucura e a responsabilidade,  

preciso me sustentar e sustentar os meus.  

De pezinhos no chão,  

construindo aviões.  

Não para guardá-los em fundos de galpões,  

apenas para voar livre do sofrimento cíclico que assola a cabeça de quem nunca teve onde descansar.  

Já quis o mundo nas mãos,  

agora só quero um espaço no mundo que me caiba e caiba os meus em um domingo à tarde na varanda.

  • Autor: Querido Anjo (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de maio de 2026 11:53
  • Comentário do autor sobre o poema: Por fim, aqui escrevo.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: Pássaros.


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