#Dia da Mata Atlântica
Poema de Cláudio Gia – Macau RN, 27/052026
Hoje é dia da Mata Atlântica,
mas eu pergunto ao vento do sertão:
cadê a andiroba antiga,
o jatobá de sombra larga,
o mulungu florindo o chão?
Cadê a macambira resistente,
a palma firme na estiagem,
o xique-xique sobrevivente
guardando a memória da paisagem?
Cadê as aves da arribação,
a burguesa no céu voando,
fazendo ninhos pelo caminho,
cantando a vida e semeando?
O progresso chegou ligeiro,
girando hélices sobre a mata,
painéis cobriram horizontes,
e a terra aos poucos se maltrata.
A energia move cidades,
mas quem protege o coração do chão?
Quem segura o verde da vida,
a nascente, a ave e o verão?
Hoje também é dia
do profissional que acredita
que equilíbrio é esperança
e que a natureza necessita
mais amor do que discursos,
mais cuidado do que ambição.
E o serviço da saúde
vive escondido no mato:
na folha que cura febre,
na raiz que acalma a dor,
na casca que guarda remédio
e no perfume da flor.
A Mata Atlântica não pede luxo,
não pede ouro nem riqueza,
só pede respeito ao rio,
à árvore e à natureza.
Porque quando uma mata cai,
um pedaço da vida se cala.
E quando um pássaro desaparece,
o silêncio toma a sala.
Que o homem aprenda depressa
antes que seja tarde demais:
sem floresta não existe chuva,
sem verde não existe paz.
A Mata Atlântica é resistência,
é memória, raiz e canção.
E cuidar da natureza
é cuidar do próprio coração.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de maio de 2026 15:56
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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