Ele é alto, alto demais.
Veste terno, usa chapéu e gravata vermelha.
As pernas longas não parecem deste mundo.
Ele me observa de perto.
Eu o vejo por segundos enquanto trabalho,
Enquanto tento viver no meu quarto.
Ele sorri quando eu erro,
Como se meu tropeço fosse o seu prazer.
Não sei o que ele quer,
E não tenho coragem de perguntar.
Coloquei meus limites, e ele sumiu no breu,
Mas meus olhos ainda procuram o escuro,
Esperando que ele apareça ali outra vez.
Em outro momento, ele veio montado.
O cavalo branco de olhos vermelhos,
Com fumaça saindo pelas ventas, puro ódio.
O homem se coloca atrás de mim, gigante,
E o medo me trava: eu não posso me virar.
Pa. Pa. Pa.
O casco esquerdo do bicho bate no chão.
Sinto o choque, os nervos do meu pé se contorcem.
Passo o dia mancando, sentindo a marca daquela fúria.
Mesmo que eles tenham ido embora.
Vi o cavalo de novo, dias depois,
Acorrentado ao nada, sem dono e sem controle.
Ele mata, ele destrói tudo o que toca,
Mas ele não consegue me alcançar.
O homem sumiu.
Mas o medo do seu retorno bate à porta,
Entra sem pedir licença
E revira meus órgãos aqui dentro.
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Autor:
Nicole JS. C (
Offline) - Publicado: 25 de maio de 2026 18:43
- Comentário do autor sobre o poema: Ainda sinto que ele está em algum lugar, observando me.
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 6
- Em coleções: Visões.

Offline)
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