Havia barulho em mim
antes de você ir embora.
Minha garganta trabalhava o dia inteiro,
derrubando canções desafinadas
sobre a umidade de banhos demorados.
Os joelhos viviam cansados
nesse eterno dobra e estica
de quem ainda acreditava
que flores dependiam de cuidado
e que dançar sozinho no quarto
era uma forma de felicidade.
Até meus olhos trabalhavam:
erguiam-se para o céu
como quem precisava confirmar
que o azul ainda existia.
Tudo em mim se movia.
Tudo pulsava.Havia vida.
Hoje, porém,só restou o silêncio
ocupando cada cômodo do meu corpo.
O sangue parece andar devagar,
como um rio perdendo correnteza,
e o coração ,exausto da ausência,
bate apenas por obrigação.
E hoje sou quietude.
Um jardim sem vento,
uma música esquecida no meio,
um corpo onde até o silêncio
parece cansado de morar.
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Autor:
Viviane.93 (
Offline) - Publicado: 23 de maio de 2026 22:49
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
Comentários1
Belo poema
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