O sábado amanheceu nublado e chuvoso,
mas havia paz demais no peito
para chamar isso de tristeza.
Os pássaros cantavam entre os fios,
o café esfriava devagar na mesa
e a Bíblia aberta parecia conversar baixinho
com o silêncio da casa.
Lá fora, São Paulo seguia apressada.
Aqui dentro,
filmes antigos, episódios esquecidos
e a rara sensação
de não precisar fugir de nada.
A solitude tinha cheiro de manhã fria
e coração desacelerando.
Percebi, entre um gole de café e outro,
que já não lembrava direito da sua voz,
e isso não doeu.
Talvez meu coração esteja finalmente aprendendo
a esquecer sem fazer barulho.
Mais tarde,
a Liberdade acenderia suas luzes
e eu encontraria um amigo querido
entre abraços, ruas cheias, letreiros acesos
e conversas leves que aquecem mais que casaco em dia frio.
E pela primeira vez em muito tempo,
São Paulo parecia menos pesada.
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Autor:
legendary lady (Pseudónimo (
Online) - Publicado: 23 de maio de 2026 16:39
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 9
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua
- Em coleções: Sobre mim.

Online)
Comentários1
Eita, pensei que estava lendo um fado, São Paulo.
Ficou lindo amiga.
Perdoe me por só agora, ter visto a amizade.
Parabéns pelos belos traços.
Ficar bem.
Apegaua
Preciosidade o que escreve, agora para quem ler com sensibilidade e gosta das coisas contadas com as simples palavras e não as de um dicionário.
Obrigado pelas respostas.
Abraços.
Apegaua
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