De repente, as pessoas perdem as faces. Expressões vazias passam por mim. As vozes são ruídos uníssonos e indecifráveis. Todos caminham no mesmo passo, e o impacto é simétrico em tique-taques.
O sol é a lua.
O claro é o escuro.
Lavo o rosto, olho-me no espelho e vejo o grito de Edvard Munch.
Grito em uníssono com os indecifráveis. Será que faço parte dessa realidade fantasmagórica?
É isso que nos tornamos?
Reflito e percebo a lógica do raciocínio intacta. Tenho, então, um esconderijo, uma rota de fuga.
Volto para o quarto. Fecho a janela interna. Apago o candelabro. Deito no chão, encolhido. Fecho o local onde estariam meus olhos.
Adormeço.
Acordo assustado. Quase caio da cama. Abro a janela. Tudo no seu lugar.
Vou ao espelho. Minha imagem sorri. Retribuo.
Agradeço por todas as dificuldades que enfrentei e enfrentarei.
Estou renovado.
Vivo!
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Autor:
RGGouveia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 21 de maio de 2026 07:24
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5

Offline)
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