Calendário de Ipês
No cerrado o tempo não tem hora,
Tem cor, tem flor, tem ipê que aflora.
Quando o seco racha o chão da gente,
A mata acende um sol diferente.
Julho chega e o roxo faz alvorada,
Ipê-roxo rasga a seca calada.
Trombeta lilás na vereda aponta:
“Agüenta, sertão, que a chuva tá pronta”.
Agosto é branco, quase de algodão,
Ipê-branco veste o campo em clarão.
Parece paz pousada em galho torto,
Faz até o cupim ficar absorto.
Setembro explode em chama amarela,
Ipê-amarelo, a glória mais bela.
A Serra Dourada fica pequena
Perto do ouro que a copa desenha.
Outubro pinta o rosa delicado,
Ipê-rosa dança no ar dourado.
É flor que atrasa pra ver se a chuva
Já molha o chão e a poeira se curva.
E quando a chuva enfim se derrama,
O verde volta, mas o ipê declama:
“Eu sou o aviso, eu sou o ponteiro,
O relógio vivo do ano inteiro”.
No cerrado, meu filho, não se conta
Mês por número que o homem monta.
Se conta por ipê que abre a porteira:
Roxo, branco, amarelo e rosa na fileira.
-
Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 21 de maio de 2026 04:45
- Categoria: Natureza
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz

Offline)
Comentários1
O ipê é um espetáculo, parabéns pela bela poesia.
Obrigado amigo por ter lido o poema, agradeço muito, como bem disse o Ipê encanta o nosso Cerrado brasileiro, encanta Goiânia, o Ipê em toda Goiânia é um manifesto poético vivo, o painel de fundo em movimento com a agitação da cidade o Ipê deixa o seu perfume, a sua cor, o seu embelezar, como se fosse ele o pintor da cidade, dando beleza, dando cor, dando alegria, em cada mês ele resolve dar uma nova cor, um novo sentido em movimento...
Caríssimo, é isso o ipê às vezes nos chama, aqui perto de casa tem um gigante lindo e isolado na rua que habita, mas quando passo por ele sempre o olho por alguns segundos e respiro...
Um abraço fraterno
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.