#A Lei que Não Dança
Claudio Gia, Macau RN, 17 de maio de 2026
O céu hoje não perde tempo com ternura —
as constelações viram prazos,
Mercúrio empurra contratos,
Saturno exige cifras,
e a lua, fria, aprova planilhas.
Enrolar?
O astro-rei queima respostas evasivas.
Mas em meio a esse compasso de negócios velozes,
onde tudo tem cláusula e carimbo,
há uma data esquecida no calendário:
18 de maio.
Dia em que o estatuto vira gibi,
o conselho tutelar, número ocupado,
a creche, promessa de giz sem quadro,
e o esporte, lazer, professor —
tudo o que consta no papel
se desmancha como nuvem de enxofre.
Se as leis fossem cumpridas,
crianças não seriam números de ocorrência.
Se os conselhos funcionassem,
não precisaríamos de heróis nem horóscopos.
Mas o céu de hoje só acelera o que já está quebrado:
negociações sem infância,
decisões sem corpo,
pendências que nunca abraçam.
Então escrevo:
a única guerra santa
é fazer o abstrato virar leite,
o artigo virar colo,
o parágrafo virar quadra de vôlei
numa tarde de maio sem medo.
Que o céu veloz pare,
por um instante,
para ouvir o choro que não vira ofício.
-
Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 18 de maio de 2026 20:51
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.