Prefiro os antigos

LF Text

De tempos em tempos, me sentindo estranho 
Alguns tentam tampar a realidade, sempre fugindo de si mesmo 
Foram tantos anos, de querer e querer, e quando eu cheguei, o que sobrou?
E por fim, cresci de insulto e insulto, me tornei um adulto, pronto para o que mesmo?

Explorei um lado frio, muito denso, também obscuro 
O vazio dentro de mim, sedento por algo que o preencha 
Do tamanho de Deus, do tamanho do universo, deveria parar de filosofar 
Cubra os olhos, engula o conhaque, escute a pornografia e seja assaltado novamente em mais uma eleição 

Engolindo palavras, tentando parecer razoavelmente apresentável 
Perdi o fio da meada, sem noite, sem marca 
Me senti doente, com vontade de vomitar, imundo, sujo 
Lembrei que aquele lugar ali não pertenço, estou ocupado correndo atrás do ônibus 

Cada dia virou uma longa espera, do próximo, do próximo 
Garganta fechada, suor escorre e é frio, não quero viver como se estivesse morto 
Paciência, preciso de paciência, mais uma dose, menos uma lágrima, sem overdose 
O simples fato de estar parado me fez sentir o mais miserável 

Não preciso estar estampado, nem quero ser reconhecido 
Quero dormir e acordar me sentindo completo 
Sim, nesse século parece ser pedir demais, sempre correr atrás 
Talvez eu prefira os antigos, talvez morriam cedo, mas ainda sim completos...

  • Autor: Marsh (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de maio de 2026 17:02
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 2
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  • Em coleções: Culpa, Melhores poemas.


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