De tempos em tempos, me sentindo estranho
Alguns tentam tampar a realidade, sempre fugindo de si mesmo
Foram tantos anos, de querer e querer, e quando eu cheguei, o que sobrou?
E por fim, cresci de insulto e insulto, me tornei um adulto, pronto para o que mesmo?
Explorei um lado frio, muito denso, também obscuro
O vazio dentro de mim, sedento por algo que o preencha
Do tamanho de Deus, do tamanho do universo, deveria parar de filosofar
Cubra os olhos, engula o conhaque, escute a pornografia e seja assaltado novamente em mais uma eleição
Engolindo palavras, tentando parecer razoavelmente apresentável
Perdi o fio da meada, sem noite, sem marca
Me senti doente, com vontade de vomitar, imundo, sujo
Lembrei que aquele lugar ali não pertenço, estou ocupado correndo atrás do ônibus
Cada dia virou uma longa espera, do próximo, do próximo
Garganta fechada, suor escorre e é frio, não quero viver como se estivesse morto
Paciência, preciso de paciência, mais uma dose, menos uma lágrima, sem overdose
O simples fato de estar parado me fez sentir o mais miserável
Não preciso estar estampado, nem quero ser reconhecido
Quero dormir e acordar me sentindo completo
Sim, nesse século parece ser pedir demais, sempre correr atrás
Talvez eu prefira os antigos, talvez morriam cedo, mas ainda sim completos...