Não sei escrever erótico

Versos Discretos

Como hei de transcrever, sem heresia,
A arquitetura fina de teu corpo?
Se o verbo se faz trêmulo e distorcido
Diante da carne em sua idolatria?

Como narrar a curva de tuas coxas,
Essas colunas de marfim ardente,
Que se abrem procelosas, docemente,
Para acolher minhas vertigens roxas?

Perguntas-me como fixar no papel
O pomo de teus seios, cuja ponta
Desperta em ríspido botão, e afronta
Minha boca faminta de teu mel?

Não há sintaxe para o beijo insano,
Onde as línguas se enlaçam, deglutidas,
E as salivas, em febre misturadas,
Bebem o sopro de um naufrágio humano.

E então, o ápice: a flor que se contrai,
Suga e esmaga o meu falo em sua prensa,
Numa voragem úmida e densa,
Onde o atrito é o deus que nos atrai.

Até que a carne em fúria estremeça,
E no espasmo final do gozo cru,
Teu ventre jorre o sumo, e o meu, em ti,
Em gozo e lava o mundo desmantele.

  • Autor: Versos Discretos (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de maio de 2026 13:56
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua, Shmuel
Comentários +

Comentários2

  • Apegaua

    Fiquei agoniado lendo o vosso dito.
    Pena não poder usar um similar de um linguajado mais rude.
    Bravos, ficou pra lá da ilha do sol, onde reinava a Luz del. fogo.
    Ficar bem Mestre poeta dos eróticos.
    Abraços.
    Apegaua

  • Shmuel

    Ufa! Gozei! rsrs.

    Muito bom mesmo!

    Abraços



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