arapuca

Poesia Abandonada

Armada no chão da mata, Silenciosa, à espreita, sutil, Feita de graveto e talo, No interior do meu Brasil.

Quatro estacas na base, Pirâmide de madeira e nó, Corta o vento, esconde o laço, Esperando um bicho só.

O milho serve de isca, Brilhando no chão de terra, O pássaro desce faminto, E o destino ali se encerra.

Basta um toque no poleiro, Um trique, um leve cansaço, E a gaiola de gravetos Desaba num só abraço.

Cai a noite, cai o peso, Prende o bicho sem ferir, Arapuca é astúcia pura, Quem entra não sabe sair.

Mas a vida também arma as suas, Em trilhas que o homem traça: Cuidado onde bica o grão, Para não virar a caça.

  • Autor: Poesia Abandonada (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de maio de 2026 18:54
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 21
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Existe um pássaro que consegue sair da arapuca.
    Seu nome Tiro liro e um pássaro de voos curtos e rasteiro.
    Com o bico afiado consegue cavar o chão, abrindo um buraco por baixo da armadilha e se vai.
    Na minha juventude na zona rural, quando o tempo estava chuvoso era bobaz armar a arapuca.
    Bom o seu texto, pois lembrei dos meus pecados contra a natureza.
    Ficar bem.
    Apegaua.



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