Poesia Abandonada

arapuca

Armada no chão da mata, Silenciosa, à espreita, sutil, Feita de graveto e talo, No interior do meu Brasil.

Quatro estacas na base, Pirâmide de madeira e nó, Corta o vento, esconde o laço, Esperando um bicho só.

O milho serve de isca, Brilhando no chão de terra, O pássaro desce faminto, E o destino ali se encerra.

Basta um toque no poleiro, Um trique, um leve cansaço, E a gaiola de gravetos Desaba num só abraço.

Cai a noite, cai o peso, Prende o bicho sem ferir, Arapuca é astúcia pura, Quem entra não sabe sair.

Mas a vida também arma as suas, Em trilhas que o homem traça: Cuidado onde bica o grão, Para não virar a caça.