Um domingo qualquer

Yves de Sá

Como queixar-se dos espinhos da rosa,  

se é a flor mais almejada entre as ervas?  

Como lamentar o céu velado de cinza,  

se cada mancha foi erguida a aplausos?  

 

O grito que nasce do silêncio  

sussurra a dor do mais aflito.  

A risada da festa persegue quem perdeu a si mesmo,  

e a noite só resiste para os que a desafiam.  

 

Na margem, tudo soa a destino;  

em solo firme, nada desperta o olhar.  

A fúria do mar lê-se na sua violência,  

a quietude dos rios, na sua superfície rasa.  

E aplaudem-se os furacões, como se o caos fosse ouro.  

 

Às vezes, o bom brota do pior que vivemos,  

e há quem se agarre a essa ideia com unhas e dentes.

como uma jangada à deriva,  

como o último fio de ar antes do abismo,  

como um tênue presságio de existir,

que, no fim, é apenas a mente correndo atrás de si mesma.  

 

A vida é indecifrável na sua simplicidade,  

e a ausência, por vezes, pesa

mais que o vazio pleno.

  • Autor: Yves de Sá (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de maio de 2026 15:58
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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