Como queixar-se dos espinhos da rosa,
se é a flor mais almejada entre as ervas?
Como lamentar o céu velado de cinza,
se cada mancha foi erguida a aplausos?
O grito que nasce do silêncio
sussurra a dor do mais aflito.
A risada da festa persegue quem perdeu a si mesmo,
e a noite só resiste para os que a desafiam.
Na margem, tudo soa a destino;
em solo firme, nada desperta o olhar.
A fúria do mar lê-se na sua violência,
a quietude dos rios, na sua superfície rasa.
E aplaudem-se os furacões, como se o caos fosse ouro.
Às vezes, o bom brota do pior que vivemos,
e há quem se agarre a essa ideia com unhas e dentes.
como uma jangada à deriva,
como o último fio de ar antes do abismo,
como um tênue presságio de existir,
que, no fim, é apenas a mente correndo atrás de si mesma.
A vida é indecifrável na sua simplicidade,
e a ausência, por vezes, pesa
mais que o vazio pleno.