As cigarras

João Moreira de Mendes

As cigarrinhas no poste,

Criam contenda à mesa,

A cigarra japonesa,

“Sou grão poeta, anagnoste,

 

Eu estribulo com toste,

Para imagens coesas,

Te mostrarei, com certeza,

Em redondilhas, meus dotes”

 

Já a cigarrinha-do-norte:

"Crio arte pela arte"

Então, conclua destarte:

Parnasiana até a morte,

 

O meu talento é sem sorte,

Escrevendo sem alarde,

Passo a noite e a tarde,

Lapidando os meus lotes.”

 

Vem a cigarra-gigante:

"Eu estou fraco ou forte?"

Fala dilemas, sem corte,

Pensando em si como Dante.

 

"A pedra olha o caminho,

O caminho olha a pedra"

A esperança, no espinho,

Arte e métrica, arreda.

 

  • Autor: João Moreira de Mendes (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de maio de 2026 14:29
  • Comentário do autor sobre o poema: Deixe seu comentário! É uma sátira. Poema em redondilha maior. Só quem é muito culto vai entender: Cada inseto representa uma escola literária: A cigarra japonesa representa os haicaístas, A cigarrinha do norte, os parnasianos, A cigarra gigante, o barroquismo, E o grilo, o modernismo. Estribulo = verbo no presente, do som que a cigarra faz Toste = brevidade Anagnoste = poeta romano Redondilhas = versos de 5 ou 7 sílabas Dante = Dante Alighieri, poeta italiano medieval, um dos pilares da literatura. Trecho do grilo da pedra = sátira com o poema "No meio do caminho tinha uma pedra", de Carlos Drummond de Andrade, um dos principais poetas modernistas da segunda geração (1930). Arreda = afasta, rejeita
  • Categoria: Humor
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Fabricio Zigante
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