As cigarrinhas no poste,
Criam contenda à mesa,
A cigarra japonesa,
“Sou grão poeta, anagnoste,
Eu estribulo com toste,
Para imagens coesas,
Te mostrarei, com certeza,
Em redondilhas, meus dotes”
Já a cigarrinha-do-norte:
\"Crio arte pela arte\"
Então, conclua destarte:
Parnasiana até a morte,
O meu talento é sem sorte,
Escrevendo sem alarde,
Passo a noite e a tarde,
Lapidando os meus lotes.”
Vem a cigarra-gigante:
\"Eu estou fraco ou forte?\"
Fala dilemas, sem corte,
Pensando em si como Dante.
\"A pedra olha o caminho,
O caminho olha a pedra\"
A esperança, no espinho,
Arte e métrica, arreda.