João Moreira de Mendes

As cigarras

As cigarrinhas no poste,

Criam contenda à mesa,

A cigarra japonesa,

“Sou grão poeta, anagnoste,

 

Eu estribulo com toste,

Para imagens coesas,

Te mostrarei, com certeza,

Em redondilhas, meus dotes”

 

Já a cigarrinha-do-norte:

\"Crio arte pela arte\"

Então, conclua destarte:

Parnasiana até a morte,

 

O meu talento é sem sorte,

Escrevendo sem alarde,

Passo a noite e a tarde,

Lapidando os meus lotes.”

 

Vem a cigarra-gigante:

\"Eu estou fraco ou forte?\"

Fala dilemas, sem corte,

Pensando em si como Dante.

 

\"A pedra olha o caminho,

O caminho olha a pedra\"

A esperança, no espinho,

Arte e métrica, arreda.