NITIDEZ

Francisco Queiroz

Em tempos em que até a Inteligência é Artificial, sintética,

A joaninha pinta seu próprio autorretrato;

Os leões, por vezes,

São afugentados por gatos.

 

Os fãs finalmente conseguem abrir portais

E estar dentro das cenas de filmes memoráveis,

Tomando o lugar de seus atores preferidos.

 

Cada um ganhou a liberdade de ver na tela a sombra que quiser.

E todo semestre sai uma com a nitidez mais avançada, urgente.

 

É uma tragicomédia:

Agora, quase todos são amos e escravos em suas salinhas,

Em uma caverna exclusiva,

Enquanto os de espírito ainda livre, a nossos olhos,

São "pobres coitados" que não têm acesso a essas prisões ultra-tech.

 

Oh, Admirável Mundo Novo,

O "soma" que nos entorpece a razão saiu da distopia;

E o tomamos a grandes goles pelos olhos,

Incapazes de fechar a aba e espreitar a nua realidade.

 

 

O sol-real faz os olhos arderem enquanto os limpam,

E isso dói… por isso, voltamos ao conforto virtual, irreal…

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de maio de 2026 12:48
  • Comentário do autor sobre o poema: Um convite a sentir o ardor do sol nos olhos.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6
  • Em coleções: Silêncios.
Comentários +

Comentários2

  • jroberto.bsb

    A inteligência realmente passou a ser artificial e vamos nos afastando uns dos outros e pior: vamos nos afastando de nós mesmos.
    Sábias as sua colocações. Parabéns!

    • Francisco Queiroz

      Obrigado pelo comentário, caríssimo!

      Um abraço fraterno

    • jroberto.bsb



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