Francisco Queiroz

NITIDEZ

Em tempos em que até a Inteligência é Artificial, sintética,

A joaninha pinta seu próprio autorretrato;

Os leões, por vezes,

São afugentados por gatos.

 

Os fãs finalmente conseguem abrir portais

E estar dentro das cenas de filmes memoráveis,

Tomando o lugar de seus atores preferidos.

 

Cada um ganhou a liberdade de ver na tela a sombra que quiser.

E todo semestre sai uma com a nitidez mais avançada, urgente.

 

É uma tragicomédia:

Agora, quase todos são amos e escravos em suas salinhas, em uma caverna exclusiva,

Enquanto os de espírito ainda livre, a nossos olhos,

São \"pobres coitados\" que não têm acesso a essas prisões ultra-tech.

 

Oh, Admirável Mundo Novo,

O \"soma\" que nos entorpece a razão saiu da distopia;

E o tomamos a grandes goles pelos olhos,

Incapazes de fechar a aba e espreitar a nua realidade.

 

 

O sol-real faz os olhos arderem enquanto os limpam, e isso dói… por isso, voltamos ao

conforto virtual, irreal…