A Pele Colada na Pele

Luana Santahelena

Sento na tua pele — 

como quem toca terra úmida, 

despida de silêncio, 

vestida de suor que escorre lento, 

minhas unhas riscam — 

abrem fendas nas curvas ardentes, 

onde a ânsia se dobra em chama, 

sem piedade, sem trégua, sem fim; 

 

desenho um mapa — 

lábios peregrinos no teu pescoço, 

boca nos vales quentes do teu ombro, 

cada beijo, um fogo que devora a carne, 

e minha língua caça o sal do teu corpo, 

uma febre que reverbera — 

tremores que explodem baixinho, 

como um segredo feito de fogo e desejo. 

 

Respira comigo — 

ar denso, pesado, quente, pegajoso, 

deslizas, serpenteias, te enlaças — 

dedos famintos, mãos que agarram, 

território santo, recinto profano, 

teu corpo, templo — 

desejo que vicia, que chama, 

um convite aberto, selvagem — 

pele e carne em danças furiosas, 

 

gemidos e suspiros — 

línguas que se encontram, 

tempestades que se fazem vísceras, 

a pressa das peles, 

do toque que quer tudo, 

corpos em órbita feroz, 

o fogo que não se apaga.

 

Minha boca escava, 

bate, percorre — 

gole a gole, mordida a mordida, 

devoro e sou devorada, 

fome inflamando fome, 

ritmo sem trégua, 

cada mordida, cada chupão, 

no pescoço, nas pernas, nos pulsos — 

convite aberto à loucura dos sentidos.

 

A respiração atropela o silêncio — 

rouca, fascinada, urgente, 

abrimo-nos como ondas, 

inundamos, cedemos, arrebentamos — 

prazer que consome em fúria, 

desfazendo limites, 

corpos fazem-se palavra, 

sinfonia alucinada.

 

Fôssemos fogo — 

um só incêndio em labaredas vorazes, 

lábios deslizam, agarram, 

mãos afundam na carne, 

a pele vibra, geme, pulsa, 

êxtase selvagem, urgente, 

pele — campo de batalha, 

catedral sagrada — 

entrega total que não conhece silêncio, 

tempestade que arde em nós. 

 

Nada para frear o ritmo, 

a pele colada na pele, 

suor misturado, sabor partilhado, 

o amor verbo de fome — 

feroz, líquido, febril, 

entregues, nus, vorazes — 

carne que grita, chama, ama — 

e no olhar silente, explode o desejo — 

na plenitude gritante da entrega.

  • Autor: Bulaxa Kebrada (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 14 de maio de 2026 10:59
  • Comentário do autor sobre o poema: O calor da nossa entrega transforma o quarto em um espaço onde o tempo e o julgamento deixam de existir, restando apenas a urgência do toque. Cada carícia intensa e cada respiração compartilhada desenham um mapa de desejo em nossas peles cobertas de suor, fundindo nossos corpos em uma dança feroz e visceral. Somos consumidos por uma fome mútua que desafia qualquer limite, onde o prazer explode em sussurros e pequenos tremores. Nesse incêndio de sentidos, a nossa nudez se torna um território sagrado e profano, onde amar é um ato de pura e selvagem conexão.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 6
  • Usuários favoritos deste poema: Luana Santahelena, Sezar Kosta
  • Em coleções: Poemas de Amor, Poemas Sensuais.


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