Sento na tua pele —
como quem toca terra úmida,
despida de silêncio,
vestida de suor que escorre lento,
minhas unhas riscam —
abrem fendas nas curvas ardentes,
onde a ânsia se dobra em chama,
sem piedade, sem trégua, sem fim;
desenho um mapa —
lábios peregrinos no teu pescoço,
boca nos vales quentes do teu ombro,
cada beijo, um fogo que devora a carne,
e minha língua caça o sal do teu corpo,
uma febre que reverbera —
tremores que explodem baixinho,
como um segredo feito de fogo e desejo.
Respira comigo —
ar denso, pesado, quente, pegajoso,
deslizas, serpenteias, te enlaças —
dedos famintos, mãos que agarram,
território santo, recinto profano,
teu corpo, templo —
desejo que vicia, que chama,
um convite aberto, selvagem —
pele e carne em danças furiosas,
gemidos e suspiros —
línguas que se encontram,
tempestades que se fazem vísceras,
a pressa das peles,
do toque que quer tudo,
corpos em órbita feroz,
o fogo que não se apaga.
Minha boca escava,
bate, percorre —
gole a gole, mordida a mordida,
devoro e sou devorada,
fome inflamando fome,
ritmo sem trégua,
cada mordida, cada chupão,
no pescoço, nas pernas, nos pulsos —
convite aberto à loucura dos sentidos.
A respiração atropela o silêncio —
rouca, fascinada, urgente,
abrimo-nos como ondas,
inundamos, cedemos, arrebentamos —
prazer que consome em fúria,
desfazendo limites,
corpos fazem-se palavra,
sinfonia alucinada.
Fôssemos fogo —
um só incêndio em labaredas vorazes,
lábios deslizam, agarram,
mãos afundam na carne,
a pele vibra, geme, pulsa,
êxtase selvagem, urgente,
pele — campo de batalha,
catedral sagrada —
entrega total que não conhece silêncio,
tempestade que arde em nós.
Nada para frear o ritmo,
a pele colada na pele,
suor misturado, sabor partilhado,
o amor verbo de fome —
feroz, líquido, febril,
entregues, nus, vorazes —
carne que grita, chama, ama —
e no olhar silente, explode o desejo —
na plenitude gritante da entrega.