Hoje de manhã,
o sol entrava torto pela janela da cozinha,
e havia um resto de café frio na caneca branca —
aquela que você sempre pega sem notar.
O rádio tocava uma música antiga,
mas era mais ruído do que melodia.
A manteiga demorava a derreter
e o pão tinha cheiro de lembrança.
Eu estava ali,
mas minha cabeça, não.
Meus dedos mexiam no celular
como se procurassem
uma notificação mais urgente do que o seu olhar.
Foi quando você riu.
Baixinho,
do nada,
com a boca ainda suja de farelo.
E, por um instante, tudo parou:
o relógio, o ruído, minha pressa.
Me perguntei há quanto tempo
não notava esse riso,
nem a curva do seu nariz quando você se distrai,
ou o jeito que seu cabelo toca a nuca
quando você o prende de qualquer jeito.
Às vezes, o amor não parte.
Ele só se senta num canto e espera
a gente lembrar que ele ainda está na sala.
Desde então,
tenho tentado escutar mais os silêncios entre nós.
Eles dizem coisas que a rotina cala.
E toda vez que você sorri sem razão,
eu me lembro:
amar o caminho
é não esquecer de olhar o lado.
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Autor:
Sezar Kosta (
Offline) - Publicado: 12 de maio de 2026 13:48
- Comentário do autor sobre o poema: Às vezes, a vida acontece no modo automático e a gente esquece de enxergar quem está bem na nossa frente, trocando o calor do momento por telas e notificações sem importância. Foi preciso o seu riso despretensioso, com o rosto sujo de farelo de pão, para que o tempo parasse e eu redescobrisse a beleza nos detalhes da nossa rotina. Percebi que o amor não precisa de grandes gestos; ele vive na paciência do café da manhã e na coragem de silenciar o mundo lá fora para finalmente escutar o que o nosso silêncio diz. Hoje, escolho deixar a pressa de lado para simplesmente admirar o caminho ao seu lado, valorizando cada pequena distração que nos torna reais.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
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- Em coleções: Meus Poemas de Amor.

Offline)
Comentários1
O cuidado do amor reside no detalhe e o amigo poeta capta essa sutileza nos versos deste bonito texto.
Abraços ao poeta Sezar Kosta.
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