Não sei se gosto mais de girassóis ou de samambaias.
Depende do humor,
do clima,
da posição dos planetas —
ou do preço no mercado.
Tem dias que acordo com sede de gente,
outros,
não atendo nem a mim mesma.
Já quis morar numa cidade grande
com cafés modernos e gente que fala francês.
Hoje sonho com um quintal
e uma rede que me chame pelo nome.
Talvez eu seja essa contradição ambulante,
uma soma de vontades provisórias
com uma pitada de caos afetivo.
Já tentei me definir.
Não consegui.
Me escapam rótulos, biografias e certezas.
Mas me caem bem um chá quente,
um poema torto
e um silêncio que não cobre aluguel.
E se eu for mesmo essa dúvida em pessoa —
que seja uma dúvida bonita.
Daquelas que sorriem torto,
mas nunca deixam de procurar sentido
em cada curva da estrada.
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Autor:
Bulaxa Kebrada (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 12 de maio de 2026 11:00
- Comentário do autor sobre o poema: Há dias em que a vida parece pedir movimento, luz e conversas demoradas; em outros, tudo o que a gente quer é desaparecer um pouco dentro do próprio silêncio. Crescer talvez seja perceber que mudar de ideia não é fraqueza, mas uma forma honesta de continuar se descobrindo. Nem todo mundo nasceu para caber em definições exatas — algumas pessoas são feitas de fases, desejos passageiros e pequenas confusões bonitas. E talvez exista beleza justamente nisso: seguir sem todas as respostas, mas ainda assim continuar procurando algo que faça sentido ao coração.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Luana Santahelena, Sezar Kosta

Offline)
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