Não sei se gosto mais de girassóis ou de samambaias.
Depende do humor,
do clima,
da posição dos planetas —
ou do preço no mercado.
Tem dias que acordo com sede de gente,
outros,
não atendo nem a mim mesma.
Já quis morar numa cidade grande
com cafés modernos e gente que fala francês.
Hoje sonho com um quintal
e uma rede que me chame pelo nome.
Talvez eu seja essa contradição ambulante,
uma soma de vontades provisórias
com uma pitada de caos afetivo.
Já tentei me definir.
Não consegui.
Me escapam rótulos, biografias e certezas.
Mas me caem bem um chá quente,
um poema torto
e um silêncio que não cobre aluguel.
E se eu for mesmo essa dúvida em pessoa —
que seja uma dúvida bonita.
Daquelas que sorriem torto,
mas nunca deixam de procurar sentido
em cada curva da estrada.