O Peso da Brisa...

Lunix.L

Numa sexta-feira cinzenta, dezessete de abril,
Tu repousaste, voltando à tua origem de terra e pó,
Sob um céu que não chovia, mas pesava,
E a tua partida calou a casa aos poucos,
Um silêncio que o mundo abraça de formas desiguais

 

Para quem tecia os dias ao teu lado,
A dor é a xícara intocada na mesa da cozinha,
É a poltrona que, de repente, ficou grande demais,
Uma âncora invisível que afunda os ombros,
Fazendo a vida arrastar nos corredores vazios

 

Já para quem te via na pressa dos calendários,
O adeus é só um suspiro, entre um café e outro,
Uma notícia mansa que a rotina logo dissolve,
Como uma poeira fina que assenta no casaco,
E que um simples bater de mãos espana para o ar

 

E no meu peito, onde o luto é um terreno estranho,
Há uma saudade rala, misturada à aceitação,
Sei que não fui o bom neto das velhas fotografias,
E, com uma franqueza serena, admito que nunca serei,
Mas enquanto olho a luz da tarde sumir devagar,
O que me entristece não é apenas a tua partida,
É o laço que, em vida, nós nunca soubemos dar

 

By Lunix.L

  • Autor: Lunix.L (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de maio de 2026 07:04
  • Comentário do autor sobre o poema: ...
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: Íntimos.


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