#Balão sobre a Aclimação

Francisco Claudio Claudio Gia

#Balão sobre a Aclimação

Claudio Gia, Macau, RN, 11 de maio de 2026

No dia em que o rei do reggae descansou em maio
e o povo de Ouvidor dança com Nossa Senhora do Rosário,
subo aos ares — não por asas, mas por gás e razão.
Santos Dumont, de 1899, deixou seu balão nº 2
cortar Paris como um verbo de liberdade.
Mas aqui, na periferia do mundo,
o progresso ainda é uma carruagem sem cavalo
para quem vive da lama do sal e do sol que não negocia.

Hoje comemora-se o que, afinal?
O feriado de quem pode parar,
o aniversário de pedras fundamentais
de uma cidade que nunca leu Proudhon.
Onde o Judiciário descansa, o operário conserta o telhado.
Onde a festa da santa ilumina a praça,
a fábrica não ilumina o salário.

Eu, Claudio Gia, das margens do Rio Açu,
vejo o balão flácido da história:
sobe em data nobre, desce sem lastro.
O que nos falta não é gás, é chão coletivo.
Não mais o aeróstato de um só homem,
mas o dirigível de todos:
navegável, público, sem fronteira de classe.

Que o 11 de maio não seja só memória de herói solitário
nem festa que esquece o feijão na panela do pobre.
Que lembremos: ninguém flutua definitivo
enquanto houver um só amarrado à terra sem escola, sem teto, sem voz.

Assim seja no Macau dos mangues,
assim seja em cada balão que ainda espera seu vento vermelho.

  • Autor: Claudio Gia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 11 de maio de 2026 18:05
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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