Tem abraços que são presentes,
e abraços que viram presentes.
Os abraços que são presentes
moram nos hábitos da gente.
Já os abraços que viram presentes
fazem vontade de moradia,
ainda que por milésimos a mais.
Porque existem braços
que não sabem ficar,
não por falta de afeto,
mas porque nunca lhes disseram
que poderiam ficar.
Mas estes,
quando prolongam o abraço por milésimos a mais, transformam o toque em abrigo
e o silêncio em cuidado.
E talvez seja isso, sabe:
há afetos que, de tão raros, viram eventos
que, quando finalmente acontecem,
não parecem abraço —
parecem lugar, parecem abrigo.
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Autor:
Voz em Suspenso (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de maio de 2026 01:31
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Shmuel

Offline)
Comentários1
Eu amei te ler!
Abraços
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