em um suspiro matutino
restou do ontem apenas o vazio
atravessando o peso
do que ainda estou sentindo
a memória do aconchego
recordo-me, mas sem o riso
o pesar que me aflige
é a tua ausência que me atinge
não respiro mais por mim
tenho medo de sentir
o acalento do coração machucado
e, mais uma vez, estou em pedaços
recortes já incoláveis
rastejando-me por um viés
talvez em alguns motéis
exista o apelo do amor
tento, fugindo do temor
temor que arde o peito
como veneno latejante
que desejo por um instante
beber e sucumbir
não ver e não sentir
não tento respirar por mim
porque em suspiros inconstantes, fujo de mim
recordo-me de ti
do ideal em si
que me atravessa o peito
daquele amor sem peso

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