Catarina

MINAS

em um suspiro matutino

restou do ontem apenas o vazio

atravessando o peso

do que ainda estou sentindo

 

a memória do aconchego

recordo-me, mas sem o riso

o pesar que me aflige

é a tua ausência que me atinge

 

não respiro mais por mim

tenho medo de sentir

o acalento do coração machucado

e, mais uma vez, estou em pedaços

 

recortes já incoláveis

rastejando-me por um viés

talvez em alguns motéis

exista o apelo do amor

tento, fugindo do temor

 

temor que arde o peito

como veneno latejante

que desejo por um instante

beber e sucumbir

não ver e não sentir

 

não tento respirar por mim

porque em suspiros inconstantes, fujo de mim

recordo-me de ti

do ideal em si

 

que me atravessa o peito

daquele amor sem peso