O Silêncio dos Inoocentes

claudio rabelo



Via Crúcis. Por Claudio Rabelo 


Aqueles que viram meu rosto no passado, hoje não me reconhecem mais
Não que a minha face tenha mudado tanto assim, apenas pelo tempo
Apenas não podiam enxergar a alma, tão pouco me fitavam os olhos
Ah! Sim, os olhos, pintura da mente e da alma, onde as cicatrizes são impressas
Desfiguraram minha alma, pequena alma inocente e com missão tão fúnebre, a de revelar para os olhares hipócritas, toda sujeira humana
Que um uma criança pode despertar em homens adultos e podres, pelo desejo de ter um breve momento de prazer.
Breve não eram as preliminares que o tempo não pode apagar, os traumas não prescrevem, se transformam em palavras que  externam os segredos sombrios de uma sociedade que ignora o silêncio dos inocentes, um grito de alerta.
Me levanto ainda espedaçado, embebecido pelo vinho do sangue, de quem não pode nos salvar, somos muitos, e muitos em silêncio pagando penitência em oração, pedindo perdão pelo pecado que não cometemos.
Fazei de mim a voz do cordeiro, para que nosso sacrifício não tenha sido em vão.
Amém!

  • Autor: claudio rabelo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de maio de 2026 23:22
  • Comentário do autor sobre o poema: A Via Crúcis, tal como descrita por Claudio Rabelo, não é apenas um caminho físico de dor e sofrimento, mas uma jornada espiritual e emocional que muitos inocentes são forçados a percorrer. A imagem de um rosto que não é mais reconhecido, não pela passagem do tempo, mas pela incapacidade de outros de enxergar a alma, é uma metáfora poderosa para a invisibilidade e o silêncio que cercam os traumas infantis. Os olhos, descritos como a pintura da mente e da alma, tornam-se receptáculos de cicatrizes, onde a inocência foi roubada por desejos efêmeros e a podridão da humanidade. A revelação dessa sujeira humana por uma criança, com a missão fúnebre de expor a hipocrisia, é um grito de alerta para uma sociedade que ignora o sofrimento dos mais vulneráveis. As preliminares, longas e indeléveis, e os traumas que não prescrevem, transformam-se em palavras que externalizam os segredos sombrios de uma sociedade que prefere o silêncio. A penitência em oração, o pedido de perdão por um pecado não cometido, é a dolorosa realidade de muitos que, mesmo despedaçados, buscam forças para se levantar. Que a voz do cordeiro, o sacrifício desses inocentes, não tenha sido em vão, e que possamos, como sociedade, ouvir o silêncio e acolher aqueles que clamam por justiça e cura.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Em coleções: Eu.


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