Via Crúcis. Por Claudio Rabelo
Aqueles que viram meu rosto no passado, hoje não me reconhecem mais
Não que a minha face tenha mudado tanto assim, apenas pelo tempo
Apenas não podiam enxergar a alma, tão pouco me fitavam os olhos
Ah! Sim, os olhos, pintura da mente e da alma, onde as cicatrizes são impressas
Desfiguraram minha alma, pequena alma inocente e com missão tão fúnebre, a de revelar para os olhares hipócritas, toda sujeira humana
Que um uma criança pode despertar em homens adultos e podres, pelo desejo de ter um breve momento de prazer.
Breve não eram as preliminares que o tempo não pode apagar, os traumas não prescrevem, se transformam em palavras que externam os segredos sombrios de uma sociedade que ignora o silêncio dos inocentes, um grito de alerta.
Me levanto ainda espedaçado, embebecido pelo vinho do sangue, de quem não pode nos salvar, somos muitos, e muitos em silêncio pagando penitência em oração, pedindo perdão pelo pecado que não cometemos.
Fazei de mim a voz do cordeiro, para que nosso sacrifício não tenha sido em vão.
Amém!