Zumbido, vozes e motores.
Um borrão na mente,
não menos mecânica.
O balcão cheio de delícias,
os olhos perdidos na tela,
o misto-quente foi servido
e ingerido com desinteresse.
Na fila desordenada,
a espera é enfadonha,
dois dedos de prosa qualquer;
o clichê sobre o tempo.
Na rua, um pede esmola.
— Pode pagar um lanche?
Olhos expressivos cansados,
o corpo corado de fuligem.
O pagamento vem constrangido.
O sinaleiro abre a faixa.
A mente assimila:
não somos tão diferentes.
Antes de atravessar, olha para trás.
Vê o olhar expressivo, feliz
degustando o misto-quente.
O que foi mesmo que eu comi?
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Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de maio de 2026 07:34
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1
- Em coleções: Silêncios, Urbano.

Offline)
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