168 - UMA ESTRANHA NAVE ESPACIAL

Arthur Santos

UMA ESTRANHA NAVE ESPACIAL

No meu quintal, o silêncio fez-se espanto,

Quando uma nave, vinda do vazio,

Pousou sem um ruído, sem um canto,

Sem cheiro a fumo, a metal ou a frio.

 

Fui ver de perto o vulto de prata,

A porta abriu-se num feixe de luz,

E numa cena que a razão desata,

Vi o caminho que o meu chão conduz.

 

Saíram três galinhas, passo lento,

E um galo de crista, firme e altivo,

Que no meio daquele estranho evento,

Olhou para mim, solene e vivo.

 

Avançou o bicho, em tom ameaçador,

E em bom português — pasmo fiquei —

Disse: "Precisamos de milho, senhor,

Podes dar-nos algum? tu tens, eu bem sei."

 

— "Não, mestre galo", respondi tremendo,

"Só tenho feijão aqui na despensa."

E ele, o meu medo logo entendendo:

— "Também serve, amigo, não há ofensa."

 

Fui buscar o feijão, grão por grão,

Ofereci ao galo, que o bico baixou;

"És muito gentil", disse com gratidão,

E para a nave a tropa convocou.

 

As galinhas entraram, ele foi atrás,

A porta fechou-se e o brilho sumiu,

Deixando o quintal de novo na paz

e a vizinhança esta cena não viu.

 

No dia seguinte, ao sol da manhã,

Duvido se foi sonho ou realidade

Mas guardo a lembrança, estranha e sã,

Dessa astronómica amizade.

  • Autor: Arthur Santos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de maio de 2026 12:50
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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