Escrevo, como se a mim pertencesse o tempo, mesmo sem saber se chegarei ao fim destas palavras.
Em todo abraço carregado, a cada beijo à espreita.
Em todo "eu te amo" contido,
quase espesso, a morte espera.
Vivo o presente com as mãos no futuro, sem ao menos possui-lo.
E quando enfim a hora chegar, Descobriret, de forma inapelável, que a mim nunca pertenceu o tempo.
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Autor:
Salignac (
Offline) - Publicado: 7 de maio de 2026 16:05
- Comentário do autor sobre o poema: “A morte — O poema contundente”\r\nExplicado por mim.\r\n\\\"Escrevo, como se a mim pertencesse o tempo, mesmo se chegarei ao fim dessas palavras\\\"\r\nA morte caminha ao nosso lado o tempo inteiro. Ela apenas espera. E essa frase fala exatamente disso: vivemos como se o futuro nos pertencesse, quando, na verdade, ele nunca pertenceu.\r\nFazemos planos, adiamos sentimentos, acreditamos que haverá tempo. Tempo para terminar um texto, para pedir desculpas, para amar mais, para viver depois. Mas e se não houver depois?\r\nEnquanto escrevo isso agora, posso simplesmente não chegar ao fim destas palavras. E é justamente isso que me revolta: perceber que não somos donos do tempo. Nunca fomos.\r\nVivemos como se o amanhã fosse garantido, quando ele é apenas uma possibilidade.\r\n\\\"Em todo abraço carregado, a cada beijo a espreita\\\"\r\nAqui eu quis falar sobre tudo aquilo que deixamos para depois.\r\nOs abraços que não damos. Os beijos que seguramos. Os sentimentos que sufocamos porque acreditamos, inconscientemente, que haverá outra oportunidade. Outro dia. Outra chance.\r\nMas… e se não houver?\r\nQuantas demonstrações de amor ficam “à espreita”, esperando um momento perfeito que talvez nunca chegue?\r\nA mensagem aqui é simples, mas dura: viva o hoje como se o amanhã não estivesse prometido.\r\nSe você soubesse que este é o seu último dia, abraçaria mais? Diria mais o que sente? Amaria sem tanta contenção?\r\nPense nisso.\r\nPorque esquecemos diariamente que o tempo não nos pertence.\r\n\\\"Em todo eu te amo contido, quase espesso, a morte espera.\\\"\r\nEssa parte continua exatamente o mesmo pensamento.\r\nTodo “eu te amo” guardado por medo. Medo de parecer intenso demais. Medo de amar demais. Medo de demonstrar sentimento em uma geração que, muitas vezes, trata o amor com frieza.\r\nGuardamos palavras como se tivéssemos controle do amanhã.\r\nMas não temos.\r\nQuantas vezes dizemos para nossa mãe que a amamos? Às vezes poucas. Às vezes nunca. Porque, no fundo, agimos como se ela fosse permanecer aqui para sempre. Como se pudéssemos escolher quando as pessoas partem.\r\nMas ninguém escolhe isso.\r\nQuando a hora chega, chega.\r\nE é nesse instante que entendemos que o relógio nunca esteve em nossas mãos.\r\nA verdadeira mensagem aqui é: ame enquanto há tempo. Diga o que sente enquanto ainda existe voz para dizer.\r\nNão espere o amanhã para viver algo que pertence ao hoje.\r\n\\\"Vivo o presente com as mãos no futuro, sem ao menos possuí-lo.\\\"\r\nVivemos assim o tempo inteiro.\r\nEstamos no presente, mas mentalmente presos ao futuro. Pensando no que virá, no que queremos conquistar, no que esperamos viver… como se tivéssemos garantia de chegar lá.\r\nTentamos tocar o futuro sem sequer possuí-lo.\r\nEssa frase é uma crítica a todos nós — inclusive a mim.\r\nPorque passamos tanto tempo correndo atrás do amanhã que esquecemos que a única coisa realmente existente é o agora.\r\n\\\"E quando enfim a hora chegar, descobrirei, de forma inapelável, que a mim nunca pertenceu o tempo.\\\"\r\nA morte continua ali. Silenciosa. Esperando.\r\nE quando ela finalmente chegar, entenderemos da forma mais absoluta possível que o tempo jamais foi nosso.\r\n“Inapelável” significa exatamente isso: sem escapatória. Sem negociação. Sem retorno.\r\nPassamos a vida acreditando no amanhã, planejando o futuro, tentando controlar algo que nunca esteve sob nosso domínio.\r\nE no fim, descobrimos a verdade mais dura de todas:\r\no amanhã nunca nos foi prometido.\r\nPor isso, vivam o presente.\r\nAbracem mais. Amem mais. Digam o que sentem enquanto ainda há tempo para dizer.\r\nPorque um dia, inevitavelmente, entenderemos que nunca fomos donos do tempo.
- Categoria: Reflexão
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Comentários1
Boa noite poeta! Este texto aborda a finitude humana através da tensão entre o desejo de posse e a realidade da impermanência. O autor destaca a ironia de vivermos projetados no amanhã (mãos no futuro) enquanto ignoramos que até os sentimentos mais densos e urgentes estão sob a sombra da brevidade. É uma reflexão potente sobre a humildade existencial: a descoberta final de que o tempo não é uma propriedade, mas um fluxo que apenas nos atravessa. Parabéns por seu poema! Abraço poético.
Muitíssimo obrigado, querida Vilma! Esse é o meu primeiro poema, suas palavras foram sensacionais. Gostei do seu ponto de vista! Um abraço.
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