VIDRO

Catarina

Um vaso de vidro quebrado 
sangue escorrendo por todos os lados 
minhas mãos trêmulas, desesperadas 
minha respiração forte e abafada

rosas caídas no chão 
combinam com o lamento da paixão 
me perdi quando o deixei ir 
não voltei e me parti 

parti em miúdos pedaços
tão frágeis que escapavam
dos meus dedos finos e inseguros 
dos pensamentos profundos 

tentei não sentir 
o pesar do seu partir 
tentei não lembrar 
da música que começou a tocar

dos amores eternos
do sentimento penumbro
da superfície ao fundo 

da beleza de Los Hermanos 
de quando te encontrei 
quanto amor eu procurei 
assim, o meu “Último Romance” se fez 

sendo-me apenas refém 
do meu peito desacelerado  
meu corpo em sangue molhado 
e do vaso de vidro 
que deslizou por um instante 
me deixou em pedaços 
e quase sem chance. 

 

  • Autor: Catarina (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de maio de 2026 12:51
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 17
  • Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
  • Em coleções: Interno..
Comentários +

Comentários2

  • Shmuel

    Maravilhoso!

    Um excelente dia para você.

    • Catarina

      Muito obrigada, Shmuel!

      Forte abraço ?

    • Vilma Oliveira

      Boa noite poetisa! Este poema utiliza o vidro quebrado como uma metáfora física e violenta para a ruptura emocional. A imagem do sangue e das rosas no chão transforma a dor do término em algo palpável, onde o eu lírico não apenas sofre a perda do outro, mas sofre a própria fragmentação (me parti em miúdos pedaços). A referência a Los Hermanos traz um contraste melancólico: a doçura de Último Romance, torna-se o pano de fundo para um cenário de desolação, onde o amor buscado termina em um estado de vulnerabilidade extrema. Parabéns por seu belo poema! Meu abraço poético.

      • Catarina

        Sinto-me honrada em receber um comentário tão genuíno! Muito obrigada!



      Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.