Catarina

VIDRO

Um vaso de vidro quebrado 
sangue escorrendo por todos os lados 
minhas mãos trêmulas, desesperadas 
minha respiração forte e abafada

rosas caídas no chão 
combinam com o lamento da paixão 
me perdi quando o deixei ir 
não voltei e me parti 

parti em miúdos pedaços
tão frágeis que escapavam
dos meus dedos finos e inseguros 
dos pensamentos profundos 

tentei não sentir 
o pesar do seu partir 
tentei não lembrar 
da música que começou a tocar

dos amores eternos
do sentimento penumbro
da superfície ao fundo 

da beleza de Los Hermanos 
de quando te encontrei 
quanto amor eu procurei 
assim, o meu “Último Romance” se fez 

sendo-me apenas refém 
do meu peito desacelerado  
meu corpo em sangue molhado 
e do vaso de vidro 
que deslizou por um instante 
me deixou em pedaços 
e quase sem chance.