Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
YES
Se o sol do coração se abrisse em raios
Em púrpura cintilante o meu jardim...
A perfumar os céus a flor de maio
A desmaiar em nuvens cor de marfim!
Se o Sol do coração fosse somente teu
Aveludado universo de estrelas nuas
Em plumas flutuantes presos em véus
As minhas mãos doiradas junto as tuas.
Adormeço nos braços da noite fria
No cobertor dos anos que me guia
Perdida nesse espaço infinito...
Como a esvaziar em mim o sono...
No vácuo embriagador do abandono
A colher o eco virginal desse meu grito!
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de maio de 2026 21:17
- Comentário do autor sobre o poema: Breve análise: Este soneto é uma bela expressão do neossimbolismo, onde a paisagem exterior (sol, jardim, estrelas) é, na verdade, um reflexo de um estado de espírito melancólico e desejoso. As duas primeiras estrofes constroem um cenário idealizado de luz e cor (púrpura, doiradas), mas que permanece no campo da hipótese. Esse se revela um desejo de plenitude que ainda não se realizou. Você transita do brilho solar e do colorido das flores para o marfim das nuvens e, finalmente, para a noite fria. Há um movimento de apagamento da luz, que mimetiza o sentimento de solidão. O terceto final é poderoso. A imagem do vácuo embriagador do abandono, traz uma sensação de vertigem. O grito que ecoa no vácuo sugere uma alma que, apesar de adormecida no cobertor dos anos, ainda preserva uma essência pura e inquieta (eco virginal). O uso de palavras como veludo, plumas e véus, confere ao poema uma textura leve, quase onírica, que contrasta com o peso existencial da última estrofe. É um soneto que começa como um sonho solar e termina como uma prece de isolamento.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
- Em coleções: Sonetos.

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