Não foi sob luz bonita nem música alta,
foi num quarto meio escuro,
com a janela fechada pro barulho do mundo
e um silêncio quebrado só pela tua respiração.
Eu era pequeno demais pra entender qualquer coisa,
mas lembro do teu colo quente,
do cheiro leve de cuidado na tua pele,
e da tua mão segurando a minha
como se dissesse: “fica tranquilo… eu tô aqui.”
O tempo passava devagar ali dentro,
entre um bocejo meu e uma canção tua,
dessas simples, quase sussurradas,
que nem tinham letra direito,
mas tinham tudo.
Eu não sabia o que era amor,
nem sabia o que era medo —
porque, de algum jeito, você já tinha resolvido isso por mim.
Era estranho…
o mundo lá fora existia, eu acho,
mas não importava.
Porque ali, naquele espaço pequeno,
eu já tinha tudo que precisava pra começar a viver.
Hoje, olhando pra trás,
percebo que antes de aprender a andar, falar ou sonhar,
eu aprendi a confiar.
E talvez seja isso o amor no começo de tudo:
alguém que te segura sem pedir nada em troca,
e faz você sentir, mesmo sem entender,
que existir… já vale a pena.
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Autor:
Sezar Kosta (
Offline) - Publicado: 6 de maio de 2026 18:47
- Comentário do autor sobre o poema: Mãe, não foi em um momento especial nem em um lugar bonito, foi no silêncio de um quarto simples, onde você me segurava como se nada pudesse dar errado. Eu ainda não entendia o mundo, mas aquele cuidado constante — no toque, na voz baixa, na presença — já organizava tudo dentro de mim. Antes de aprender qualquer coisa, aprendi que podia confiar, porque havia você ali garantindo que eu estava seguro. E talvez seja assim que o amor começa: não como um conceito, mas como um abrigo onde existir, por si só, já faz sentido.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta
- Em coleções: Meus Poemas de Amor.

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