Sezar Kosta

ONDE O AMOR APRENDEU A EXISTIR

Não foi sob luz bonita nem música alta,

foi num quarto meio escuro,

com a janela fechada pro barulho do mundo

e um silêncio quebrado só pela tua respiração.

 

Eu era pequeno demais pra entender qualquer coisa,

mas lembro do teu colo quente,

do cheiro leve de cuidado na tua pele,

e da tua mão segurando a minha

como se dissesse: “fica tranquilo… eu tô aqui.”

 

O tempo passava devagar ali dentro,

entre um bocejo meu e uma canção tua,

dessas simples, quase sussurradas,

que nem tinham letra direito,

mas tinham tudo.

 

Eu não sabia o que era amor,

nem sabia o que era medo —

porque, de algum jeito, você já tinha resolvido isso por mim.

 

Era estranho…

o mundo lá fora existia, eu acho,

mas não importava.

Porque ali, naquele espaço pequeno,

eu já tinha tudo que precisava pra começar a viver.

 

Hoje, olhando pra trás,

percebo que antes de aprender a andar, falar ou sonhar,

eu aprendi a confiar.

 

E talvez seja isso o amor no começo de tudo:

alguém que te segura sem pedir nada em troca,

e faz você sentir, mesmo sem entender,

que existir… já vale a pena.