Não foi sob luz bonita nem música alta,
foi num quarto meio escuro,
com a janela fechada pro barulho do mundo
e um silêncio quebrado só pela tua respiração.
Eu era pequeno demais pra entender qualquer coisa,
mas lembro do teu colo quente,
do cheiro leve de cuidado na tua pele,
e da tua mão segurando a minha
como se dissesse: “fica tranquilo… eu tô aqui.”
O tempo passava devagar ali dentro,
entre um bocejo meu e uma canção tua,
dessas simples, quase sussurradas,
que nem tinham letra direito,
mas tinham tudo.
Eu não sabia o que era amor,
nem sabia o que era medo —
porque, de algum jeito, você já tinha resolvido isso por mim.
Era estranho…
o mundo lá fora existia, eu acho,
mas não importava.
Porque ali, naquele espaço pequeno,
eu já tinha tudo que precisava pra começar a viver.
Hoje, olhando pra trás,
percebo que antes de aprender a andar, falar ou sonhar,
eu aprendi a confiar.
E talvez seja isso o amor no começo de tudo:
alguém que te segura sem pedir nada em troca,
e faz você sentir, mesmo sem entender,
que existir… já vale a pena.