Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
YES
Quisera poder dizer-te tudo aquilo que eu sinto
Quando estou sozinha no meu quarto silencioso
Pudera domesticar toda fúria do meu instinto...
Trazer à tona esse nosso amor e o próprio gozo.
Quisera entorpecer teu corpo com mil carícias...
Tocar tu’alma docemente – em duplos devaneios
Apaziguar tua solidão... Sorver o fruto e as delícias
Saciar a sede e a fome dos nossos desejos cheios!
Transformaria as nossas noites em passarelas
Em diáfanos dias e intermináveis luas a velas
Em crisântemos enluarados e sonhos efusivos;
Em cada quimera haveria um castiçal aceso...
Iluminando o sol enquanto estivesse preso...
Em nós o brilho desses nossos desejos vivos.
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de maio de 2026 20:03
- Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este soneto: O soneto explora o desejo represado e a idealização de uma entrega amorosa. O uso do futuro do pretérito (Quisera, Transformaria, Haveria) estabelece um tom de devaneio e potencialidade — é o campo da quimera, do que se quer viver. Respeita a estrutura clássica do soneto (dois quartetos e dois tercetos). Você utiliza rimas alternadas nos quartetos e um encadeamento interessante nos tercetos. O uso de termos como febril, entorpecer e diáfanos confere uma textura aveludada e erudita ao texto. O refrão febril e silencioso cria um paradoxo bonito, sugerindo uma intensidade que não precisa de gritos. Sinestesia: Sorver o fruto, sede e fome trazem o plano físico para o centro da experiência espiritual (tocar tu'alma). A imagem de iluminando o sol enquanto estivesse preso nos tercetos é poderosa; sugere que a paixão interna é tão vasta que supera a luz do próprio astro-rei. No geral, é um poema vibrante que faz jus ao título: a efusividade transborda em cada verso.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
- Em coleções: Sonetos.

Offline)
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