Quando morrer
Quero entoada a marcha fúnebre!
Todos de preto
Trazendo à mão um lume.
Quero do incenso o perfume!
E silentes o cortejo,
O caixão a um carro oirado,
Trazido por forte Negro
- De ébano! – engalanado
Montando alvo corcel
Com as rédeas enfeitadas
De cravos vermelhos,
Pendendo centenas de fitas doiradas!
E no cascalho o tropel
Provoque meditações:
Todos nesse momento
Voltem-se aos corações.
E não se lembrem de mim com ódio!...
E não se lembrem de mim com amor!...
E não se lembrem de mim com tristeza!...
Mas apenas um viajor
Qual uma simples parada
De seu destino deixou...
Mas mesmo assim quero a pompa!
- Quero a gala! Os clarins!
O ressoar dos tambores
Comemorando o fim.
O fim de estreito túnel,
De esfarrapada ponte....
À imensidão...Liberdade!
A todos os horizontes...
-
Autor:
G. Mirabeau (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 4 de maio de 2026 19:08
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira

Offline)
Comentários1
Boa noite poeta! A estética fúnebre apresentada no poema reflete uma transição entre dois grandes momentos da literatura: o Romantismo e o Simbolismo. O desejo por pompa e clarins ecoa a tradição do século XIX, especialmente o Ultrarromantismo. A ideia de que a morte é o fim de estreito túnel e o acesso à Imensidão... Liberdade! é uma marca forte do Simbolismo. Enquanto os românticos viam a morte como uma fuga da dor terrena, os simbolistas a viam como uma transcendência — o momento em que a alma se liberta da prisão da carne para se unir ao universo. O uso de cores e materiais (o ébano do caixão, o alvo corcel, os cravos vermelhos) remete à sinestesia simbolista, onde os sentidos são estimulados para evocar estados espirituais. Ao pedir para ser lembrado apenas como um viajor que fez uma simples parada, o autor dialoga com o conceito de que a vida é passageira e a morte é apenas um retorno à casa. Essa visão retira o peso trágico do luto pessoal (amor, ódio ou tristeza) e foca na ordem natural específicas e irreverentes sobre seu próprio fim.
Meu abraço poético.
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