G. Mirabeau

MEU FUNERAL

Quando morrer

Quero entoada a marcha fúnebre!

Todos de preto

Trazendo à mão um lume.

Quero do incenso o perfume!

 

E silentes o cortejo,

O caixão a um carro oirado,

Trazido por forte Negro

- De ébano! – engalanado

Montando alvo corcel

Com as rédeas enfeitadas

De cravos vermelhos,

Pendendo centenas de fitas doiradas!

 

E no cascalho o tropel

Provoque meditações:

Todos nesse momento

Voltem-se aos corações.

E não se lembrem de mim com ódio!...

E não se lembrem de mim com amor!...

E não se lembrem de mim com tristeza!...

Mas apenas um viajor

Qual uma simples parada

De seu destino deixou...

 

Mas mesmo assim quero a pompa!

- Quero a gala! Os clarins!

O ressoar dos tambores

Comemorando o fim.

O fim de estreito túnel,

De esfarrapada ponte....

À imensidão...Liberdade!

A todos os horizontes...