Manual de Sobrevivência ao Vendaval do Amor

Luana Santahelena

O amor chegou como vento de fim de tarde —

disfarçado, educado, quase pedindo licença.

Mexeu nas cortinas da minha rotina

e eu, inocente, pensei:

“Ah, é só uma brisinha emocional.”

 

Erro clássico.

 

Ele voltou.

E dessa vez veio com diploma em bagunça criativa.

Percorreu os corredores da minha vida

como corretor animado dizendo:

“Vamos reformar tudo!”

 

Desalinhou meus papéis organizados por cor,

espalhou certezas no chão da sala,

abriu gavetas onde eu escondia

medos vintage em perfeito estado de conservação.

 

Descobri, então:

o vento não marca horário.

Ele entra.

Ele muda os móveis.

Ele joga fora o que você jurava precisar.

 

Sim, houve tempestades —

ciúmes em modo relâmpago,

inseguranças em versão tropical,

rajadas tão intensas

que quase instalei vidros à prova de sentimento.

 

Mas, convenhamos,

até o vendaval tem seu lado faxineiro.

 

Levou poeiras emocionais acumuladas,

varreu mágoas que ocupavam espaço demais,

arrancou folhas secas do meu “eu edição passada”.

 

Hoje, o amor é vento constante —

não mais furacão categoria drama,

mas brisa que refresca.

 

Circula em mim como ar condicionado da alma,

renova meus dias

e me empurra gentilmente

para horizontes que eu fingia não ver.

 

Conclusão do relatório:

não fui bagunçado — fui atualizado.

O vento não destruiu minha casa,

apenas fez aquela reforma

que eu adiava há anos.

 

E se um dia soprar mais fraco,

ainda saberei:

fui oficialmente atingido

por algo invisível

e deliciosamente inevitável.

 

Porque o amor é isso —

vento que desarruma,

mas deixa tudo

estranhamente melhor.

  • Autor: Bulaxa Kebrada (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de maio de 2026 13:22
  • Comentário do autor sobre o poema: O amor chegou devagar, como uma brisa inesperada, e logo se mostrou um vendaval que desorganizou minha rotina e expôs medos que eu nem lembrava ter. Bagunçou certezas, derrubou velhos padrões e, apesar das tempestades, limpou a poeira acumulada no coração. Hoje, mais que força destruidora, ele é a renovação constante que me impulsiona a crescer e enxergar além do que eu imaginava. Amar é deixar o vento entrar, mesmo sem saber exatamente onde ele vai soprar.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: Luana Santahelena
  • Em coleções: Poemas de Amor.
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